Plano institucional de pesquisa para internacionalização da UFBA começa a ser elaborado

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Origem: 
EAUFBA

Plano será submetido à Capes até abril de 2018

Com vistas a uma sólida internacionalização da universidade, a UFBA iniciou o processo de elaboração de seu Plano Institucional de Pesquisa, que deverá ser submetido à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) até 18 de abril de 2018, no âmbito do primeiro edital do Programa Institucional de Internacionalização, o chamado Capes-Print. Somente 40 instituições, no máximo, devem ter seus planos selecionados e, assim, fazer parte do programa de excelência de universidades delineado pela Capes e Ministério da Educação, daí a relevância de a UFBA ser uma delas.

O ponto de partida de todo esse processo foi uma reunião realizada na segunda-feira, 18, no salão nobre da reitoria, quando cerca de 150 pesquisadores da universidade ouviram do reitor João Carlos Salles e do pró-reitor de Pesquisa, Inovação e Criação (Propci) Olival Freire Junior relatos sobre as características do edital. Conjuntamente com a Assessoria Internacional, também delinearam um cronograma e procedimentos para a elaboração da proposta da UFBA, que será ao final submetida ao Conselho Universitário.

O desafio que se apresenta para a UFBA é pensar e elaborar um plano único, baseado numa proposta transversal de pesquisa para os próximos quatro anos, apoiada em subprojetos de diferentes áreas, que efetivamente tragam à cena as competências da universidade e contribuam de forma inovadora para sua internacionalização. Do ponto de vista de orçamento para esse plano, a base sobre a qual terá que se trabalhar é constituída pelos orçamentos de pesquisa da universidade junto à Capes em anos anteriores, que na UFBA estiveram um pouco acima de R$3 milhões anuais. Assim, há que se pensar num orçamento em torno de R$13 milhões, mas, dado que há algum espaço para atualizações, pode-se certamente chegar até o limite de R$17 milhões para os quatro anos.

 

O reitor João Carlos Salles disse acreditar na construção de uma proposta representativa de todas as áreas do conhecimento e que demonstre a capacidade da UFBA de promover sua internacionalização. “Esse será um gesto de maturidade, tentar fazer o melhor uso possível das regras que estão postas. Temos condições de ser bem-sucedidos nesse edital”, enfatizou. Propôs uma reflexão sobre as potencialidades de pesquisa por meio do diálogo entre os grupos que se evite a todo custo a elaboração de projetos fragmentados que não vão funcionar. Também chamou atenção para a importância de atender aos aspectos formais do edital, cuja exigência básica é a consolidação da internacionalização da instituição. Segundo o reitor, isso pode ser bastante facilitado pelo novo Plano de Desenvolvimento Institucional da UFBA (PDI), que começou a ser debatido no Congresso dos 70 anos da universidade e exigiu um intenso trabalho da comunidade universitária ao longo de 2017, e que agora está na fase final de consulta às congregações, com previsão de aprovação para o começo de 2018.

O pró-reitor Olival Freire Junior explicou que a Capes, com o programa de internacionalização, concentrará todo o repasse anterior de recursos relativo a várias linhas de pesquisas em uma única chamada. “Isso representa uma mudança na lógica da Capes”, ressaltou.O edital, continuou, “encerra potencialidades e riscos”, uma vez que abre a possibilidade de maior autonomia para a universidade na gestão dos recursos de pesquisa, mas, por outro lado, lhe traz o desafio de fazer escolhas para compor um projeto único com as melhores propostas.

A Propci propôs aos pesquisadores que discutam e encaminhem sugestões até 15 de janeiro, para que se constitua um primeiro portfolio. Uma sistematização dessas propostas deve ser feita pela Pró-Reitoria nos 20 dias seguintes e, até o carnaval, se teria uma lista de projetos dentro de um eixo geral do plano. Até 15 de março o comitê gestor  responsável pela seleção das propostas deve estar constituído, para que possa, na primeira semana de abril, apresentar uma proposta de plano institucional. “Quanto mais inovador for o plano, mais chances teremos de aprovação”, disse Olival.

 

 

O comitê gestor, instância de enorme importância no processo de elaboração do plano, deverá ter professores representativos das diversas áreas do conhecimento, com atuação na pós-graduação e grande experiência internacional. Olival Freire observou que a instituição que não conseguir ser incluída entre as chamadas universidades de excelência e ficar fora da seleção do Capes-Print enfrentará dificuldades adicionais nos próximos anos, ainda que a Capes tenha dado indicações de que continuará atendendo “projetos de balcão´ – aqueles submetidos individualmente por pesquisadores.

Reflexões iniciais

Já no exercício de refletir sobre a construção de uma proposta do plano institucional, o professor Jailson Andrade Bittencourt, que recentemente deixou o cargo de secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento no Ministério de Ciência e Tecnologia e retomou suas atividades no Departamento de Química Geral e Inorgânica do Instituto de Química da UFBA, compartilhou sua visão sobre os principais temas de destaque na agenda de ciência do século XXI, entre os quais sustentabilidade, inovação e tecnologia, ressaltando o papel da educação e da ciência básica como pilares para enfrentar os desafios do mundo atual. “O Brasil precisa de uma revolução na educação, com investimentos no capital humano”, disse.

O professor, presidente da Academia de Ciências da Bahia (ACB) destacou os 17 objetivos para o desenvolvimento sustentável propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU), que devem ser implementados por todos os países do mundo até o ano de 2030. Entre eles estão acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares; acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável; assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos; alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas;  assegurar a disponibilidade e gestão sustentável da água e saneamento para todos; assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos; promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, emprego pleno e produtivo e trabalho decente para todos; reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles; assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis; tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos; conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável;pProteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade; promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis.

Ele apontou as desigualdades sociais e a superação da pobreza como questões extremamente relevantes que, a seu juízo, podem compor um possível eixo para construção de um projeto de pesquisa transversal, que tem a possibilidade de se articular com uma série de outros temas, entre os quais a igualdade de gêneros e preservação dos recursos naturais.